sexta-feira, 30 de maio de 2008

É como uma ponte!

“A única lição que os homem precisam de aprender é amar. A sua única missão é essa: amar.
(…)
Essa é a primeira grande tentação dos homens, a tentação do “dar-se-sem-se-dar”. (…) Tocar sem se deixar afectar, sem perder as suas seguranças. Os homens querem deixar sempre o caminho de regresso. Então dão-se mas não se dão. (…) Amar é deixar que a carga do outro passe para nós. (…). Quando amamos tornamo-nos frágeis. Então achamos mais fácil guardar sempre uma certa distância cada vez que amamos, de modo a nunca corrermos o risco de ser afectados.
(…)
Essa é precisamente a segunda tentação dos homens, (…) a tentação do “fazer-coisas-em-vez-de-estar”. Pensam que o amor se pode trocar por fazer coisas, não entendem que consiste sobretudo em estar presente. (…) Mas o amor não consiste em horas, nem em cânticos, nem em reuniões, nem em nada do que se possa fazer por fora. O amor consiste em dar-se a si mesmo e para isso é preciso ter tempo para estar com o outro, ter tempo para simplesmente estar. Mas, claro, com o tempo apanhamos o frio e o calor do outro na nossa própria alma. (…) O amor não suporta distâncias, hierarquias.
(…)
A terceira tentação dos homens no que diz respeito ao amor, a tentação de “dar-a-mão-sem-se-baixar”. Pensar que se pode amar sem se baixar, sem ficar a perder. (…) Mas amar é aceitar chegar a perder para que o outro fique a ganhar. Amar é quebrar a linha que nos mantém sempre por cima, na nossa auto-suficiência.
(…)
Eles [os homens] pensam que o amor é uma necessidade, não entendem que ir à procura de amor por necessidade não seria amor mas o seu contrário, a dependência. É esta a quarta tentação do homem no que diz respeito ao amor, a tentação do “dar-para-se-preencher”. É verdade que todo o amor enriquece quem o dá. Mas também é verdade que amar é querer o bem do outro e não o nosso. Sem isto não há amor. Os homens têm toda a espécie de carências, sobretudo afectivas. Quando, por vezes, fogem de as enfrentar, procuram uma outra pessoa para tapar os seus buracos. (…) o amor é como uma ponte e cada pilar tem de estar bem assente por si próprio na sua própria margem. Buscar apoio do pilar na própria ponte é meio caminho para tudo se desmoronar. (…) O amor é gratuito. Só pode amar quem aceita viver a sua própria solidão e sabe que não precisa do outro para sobreviver. A solidão não é o contrário do amor – como os homens muitas vezes pensam –, é o seu alicerce escondido. Vocês pensarão então que amando assim não nos envolvemos. Mas enganam-se, é precisamente assim que nos podemos envolver sem medo de nos perdermos. O verdadeiro amor alimenta a independência.
(…)
O amor não te faz ser outro, diferente de ti, faz-te ser o melhor de ti. (…) É esta a quinta tentação dos homens quando amam, a tentação do “vender-se-para-agradar”. Os homens, para agradar aqueles que dizem amar, são capazes de empenhar o que têm de mais sagrado. Vendem os seus ideais, comportam-se como se não fossem eles, tornam-se incapazes de dizem o que realmente sentem, relativizam aquilo em que realmente acreditam para não perder o outro.
(…)
É essa a sexta maior tentação dos homens quando começam a amar, a tentação de “manipular-o-outro-para-não-o-perder”, de seduzir o outro de forma que ele não possa recusar o amor. Há tantas formas de o fazer, e algumas tão discretas! Há quem tente tornar-se imprescindível ao outro para que o outro não possa viver sem ele. Há quem tente confundir o outro de modo a que ele se convença de que já não é ninguém sem esse amor. Há até quem ameace com o perigo do castigo eterno no caso de ele recusar o amor. Mas cada um tem que descobrir por si só a vida e amá-la livremente pelo que ela é.”
Nuno Tovar de Lemos, in “O Príncipe e a Lavadeira”

domingo, 18 de maio de 2008

Nada es impossible para ti =)



O meu coração ficou a ecoar...

domingo, 11 de maio de 2008

Se um olhar bastasse...

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer.

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr'a saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar.
Fernando Pessoa

Olho, apenas! Como se isso bastasse, como se de um espelho se tratasse. Um espelho sem riscos, onde é possível observar o que de mais puro o coração sussurra.

sábado, 3 de maio de 2008

Libertar!

Liberta o grito que trazes dentro
E a coragem e o amor
Mesmo que seja só um momento
Mesmo que traga alguma dor
Só isso faz brilhar o lume
Que hás-de levar até ao fim
E esse lume já ninguém pode
Nunca apagar dentro de ti

Lume, Mafalda Veiga


Preciso libertar este grito!

quinta-feira, 1 de maio de 2008

O Amor é...

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,

Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.

Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.
Alberto Caeiro





Quando gostamos de alguém de uma forma verdadeira, sincera, sentimo-nos assim. Tudo o que nos dizem relacionamos com essa pessoa, com a forma de ser, falar ou até mesmo com alguma coisa que nos tenha dito. Parece que não cabemos dentro de nós próprios, algo se apoderou de nós e até nos faz respirar melhor. Até o tempo parece passar mais depressa e não nos deixar aproveitar os momentos em que estamos na sua companhia. Olhamos para o telemóvel vezes sem conta a espera que se lembre de nos dizer uma palavra que nos faça sentir especial. Vivemos num sonho contínuo, à parte do mundo que nos rodeia e ao mesmo tempo mais atentos do que nunca a coisas que, para tantos, parecem insignificantes. O amor que sentimos torna-se “uma companhia” que transforma a nossa identidade pessoal, que nos faz reagir de outra forma a tudo. Há em nós um sentimento que nos preenche e nos faz ver tudo de uma forma bela, como se de um sonho se tratasse.